Educação Inclusiva. Qual meu papel?

#Sylvia Terra

Chegamos ao terceiro texto da trilogia sobre Educação Inclusiva escrita a partir das aulas sobre o tema na Academia da PlurAllidade, um espaço colaborativo on-line que neste mês de junho completou 1 ano e onde o time da FourAll compartilha conhecimento sobre temas relacionados aos conceitos e práticas de pluralidade, diversidade, equidade e inclusão.

No primeiro texto da trilogia, falei sobre a diferenciação entre educação inclusiva e especializada, expondo os impactos da educação no Brasil com especial atenção às pessoas com deficiência que foram alvo de importantes ações como a LBI (Lei Brasileira de Inclusão) e a Lei de Cotas, mas ainda não colhem os frutos esperados destas iniciativas.

As desigualdades e a falta de acesso foram citadas como barreiras tanto no primeiro quanto no segundo trechos. No segundo, destaquei ainda o papel da educação em humanizar as pessoas e fazer com que sejamos capazes de sonhar e trabalhar por um mundo melhor, fechando com uma reflexão de Hannah Arendt: “Educação é o ponto em que se decide se se ama suficientemente o mundo para assumir responsabilidade por ele.”

E é neste ponto que começamos o último texto da trilogia. Último porque escolhemos fazer 3 aulas que se transformaram em 3 textos, mas sabemos que as reflexões que queremos despertar são muitas e não têm fim, pois a educação deve ser uma constante, um movimento frequente, uma busca incansável para pessoas que almejam mudar o mundo. E toda pessoa pode fazer isso afinal somos educadores e educadoras em potencial, somos grandes (ou pequenos) como nossos sonhos e somos capazes de plantar as nossas diversidades no mundo respeitando as diversidades das outras pessoas. Sim, no plural. Porque aqui estamos falando de educação para a pluralidade, para o respeito incondicional à perspectivas diferentes das que nós vemos ou percebemos a partir das lentes que nos foram entregues pela educação que recebemos, vinda de nossa família, da cultura em que crescemos e na que escolhemos cultivar, nos sentimentos que deixamos aflorar a partir de nossas percepções de mundo. Tudo o que enviesa nosso olhar e direciona nossas decisões.

Se existe um primeiro passo, é o autoconhecimento – que nos ajuda a entender nossas atitudes, nossa singularidade, nossa pluralidade, como percebemos a solidariedade e a empatia e o que ou quem respeitamos. Conceitos que não aprendemos na escola, mas que costumam florescer dos valores que traduzem a nossa educação a partir da cultura em que estamos inseridos ou inseridas.“Valores inconscientes, que por estarem profundamente enraizados, nos levam, frequentemente, a considerar normal o que outros acham anormal, cortês o que outros acham rude e racional o que outros acham irracional.” É o que afirmam os autores do livro “Cultures and Organizations – Software of the mind”.

Precisamos falar sobre isso porque para entender e tratar a pluralidade na sociedade e nas organizações, é preciso começar por dentro de cada pessoa. Perceber o peso da bagagem que carregamos e como moldamos essa bagagem aos nossos interesses ou nossas escolhas. Aceitar o que existe em nós é o primeiro passo para respeitar o que trazem as outras pessoas.

Se aceitamos que a educação é um processo constante, veremos que a mudança também o é. E por isso repetimos o mantra “aprender para desaprender e reaprender”.   A mudança começa aqui dentro (do nosso software, ou do nosso cérebro).

Pessoas adultas, ao vivenciarem este processo, tendem a canalizar suas emoções em processos limitadores que podem impactar em seus relacionamentos. Gerenciar suas emoções é um passo importante para o processo de reeducação. O professor Daniel Kahnemann já disse que as respostas mais rápidas são geradas por gatilhos automatizados a partir de uma série histórica de dados que transformamos em verdades. Somados a outros trilhões de estímulos, acabam por nos fazer agir de forma inconsciente. Eis o chamado Sistema 1. Já o Sistema 2 é mais reflexivo, ponderado e precisa se impor para ser “ouvido”. Quanto mais usarmos o Sistema 2, mais poderemos tornar conscientes os vieses que nos limitam o julgamento e tanto mais estaremos desenvolvendo nossa Inteligência Emocional, uma das chaves para este processo segundo os autores de outro livro que tomamos como referência, “Inteligência Emocional na Gestão de Resultados”, que sugere 5 passos:

  1. Identifique os sentimentos que está experimentando.

Aprenda o vocabulário de emoções para que possa identificar com precisão o que você está sentindo. Ser capaz de admitir e nomear o sentimento é o primeiro passo.

  1. Compreenda a resposta do seu corpo.

Olhe dentro de você para descobrir o que está acontecendo. Por que você está reagindo dessa maneira? Investigar a si mesmo permitirá que você preveja suas próprias reações.

  1. Perceba como isso se reflete em seu comportamento.

Gerencie sua resposta emocional. Depois de conhecer e compreender o sentimento, você precisa lidar com ele. É neste ponto que você reconhece suas opções e faz escolhas. Esta é a etapa que garante que você está no comando de suas emoções, em vez de ser direcionado por elas.

  1. Comunique seus sentimentos e necessidades a outras pessoas.

Deixe os outros saberem como você se sente é fundamental. Uma boa comunicação ajuda a eliminar dúvidas e as mensagens confusas que são muito comuns. Ajuda também a construir confiança e abertura por meio da transparência.

  1. Use o poder das emoções em seus relacionamentos.

Use o que você sabe sobre seus sentimentos e os sentimentos dos outros. Esta é a etapa final para garantir que você está lidando bem com as suas emoções.

Por fim, é preciso humildade para seguir nessa jornada educativa. O primeiro passo é admitir, mas o segundo e essencial é estar disponível para aprender e mudar comportamentos. E esta educação para a pluralidade consiste em desaprender algumas crenças e verdades para reaprender sob uma nova ótica, uma lente diferente, mudando não somente o pensamento, mas sobretudo a atitude que temos frente à diversidade.

 

Sylvia Terra é administradora, pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos e Gestão do Conhecimento, além de uma empreendedora que acredita e trabalha com e para pessoas.
Tem mais de 20 anos de atuação em Recursos Humanos de grandes empresas, é fundadora da FourAll, da PlurAll Academy e da Camargo Consultores Associados, diretora do Camp Mangueira, voluntária em projetos sociais, filha, esposa e mãe em tempo integral.

#PraTodosVerem: foto da Sylvia Terra sorrindo e braços cruzados a frente do corpo, ao fundo uma árvore de folhas avermelhadas. Ela é morena, cabelos longos e pretos, olhos escuros, usa blusa de fundo branco e flores coloridas.

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