Comunicação Inclusiva

Como dizia Nelson Mandela, “fale a uma pessoa numa linguagem que ela compreenda e a tua mensagem entrará na sua cabeça. Fale na sua própria linguagem e a tua mensagem entrará diretamente no seu coração”. Este e o ponto central da comunicação inclusiva. E para se falar ao coração do outro, é imprescindível uma boa dose de empatia. É ocupando o lugar da outra pessoa e entendendo sua perspectiva de mundo que conseguimos falar na sua linguagem.

Os ingredientes da comunicação são compostos por mensagem, meio, quem manda a mensagem (emissora) e quem a recebe (receptora). Quando nos comunicamos, além do conteúdo, é importantíssimo que atentemos ao meio, ou seja, o contexto e o canal utilizado. Este cuidado com o meio nos acende alertas a questões relacionadas ao “o quê”, ao “como” e ao “onde”. Quando pensamos que nosso público receptor possa ser constituído por pessoas com alguma deficiência sensorial, física ou psicossocial, torna-se essencial este detalhe na construção da comunicação para que não haja problemas no trajeto da mensagem entre a pessoa emissora e a receptora. Chamaremos estes problemas aqui de “barreiras”. Se uma mensagem não for recebida, ou não for compreendida ou até mesmo mal interpretada, tudo isso vai caracterizar uma barreira comunicacional. É então que surge aí a necessidade de adequações, ajustes, adaptações para que a mensagem chegue ao seu destino intacta e cristalina conforme foi emitida. Todas estas adaptações recebem o nome de acessibilidade. Acessibilidade comunicacional, no caso. E a comunicação que usa recursos de acessibilidade é chamada de comunicação inclusiva ou acessível. E que pode (e deve) ser empregada na comunicação falada ou sinalizada, escrita e multimídia. Percebam, portanto, a importância de se pratica a empatia e se conectar com a linguagem das outras pessoas! Os meios são vários e os perfis de pessoas, então, nem se fale. Como combinar tudo isso e garantir que sua comunicação esteja acessível a todas às pessoas? Este é o desafio recorrente da comunicação inclusiva. Construir uma mensagem com recursos de acessibilidade para que esta possa atingir o maior número possível de pessoas, de forma independente e autônoma, preservando seu conteúdo deve ser a busca permanente e incansável de toda e qualquer que queira se comunicar de forma inclusiva.

Em um mundo globalizado, interconectado e diverso, é de se esperar que aprendamos a habilidade de construir comunicações inclusivas. Em uma determinada hora, falamos com uma pessoa cega; noutra, podemos trocar mensagens de texto com uma pessoa no Japão; e em outro dia, podemos palestrar para uma plateia de jovens detentos. A nossa competência de ajustar a mensagem e modular o meio torna-se cada vez mais um pré-requisito. Há uma imensidão de oportunidades sendo geradas a cada minuto para quem se aventura na comunicação inclusiva, principalmente aquela direcionada aos grupos chamados de “minorizados”. Vide o que ocorreu com o mercado LGBTI+. Há 10 anos, nenhuma empresa queria dirigir sua comunicação institucional ou algum tipo de publicidade de suas marcas para este universo. Hoje, marcas se acotovelam para sentar na janelinha. Já parou para pensar quantas pessoas com deficiência querem ser alvo da sua comunicação e anseiam serem percebidas como possíveis clientes? Somos mais de 45 milhões de brasileiros. Ou seja, de todas as pessoas que lêem seu blog, que assistem aos seus vídeos, que navegam no seu website ou que abrem uma mensagem sua via email, uma em cada quatro tem alguma deficiência e, portanto, necessita que sua comunicação esteja acessível. Enfim, cada grupo destes reúne uma vastidão de oportunidades para ambos os lados, para quem emite a mensagem e para quem a recebe. Com a comunicação inclusiva, todos ganham. Emissor e Receptor. Anunciantes e Consumidores. Educadores e Educandos. Empresas e Cidadãos. Os ganhos não são apenas econômicos, são sociais! Ganhamos todos enquanto humanidade. Se a inteligência é realmente o que nos distingue dos demais animais, por que não fazermos da nossa habilidade de comunicação algo grandioso para unir pessoas e construir legados para as próximas gerações? A ideia de unir coletividade, diversidade e comunicação precisa estar no nosso radar enquanto empresas, associações, governos, famílias e cidadãos do planeta Terra. Quando isto acontecer, estaremos todos incluídos e conectados pela linguagem que fala ao coração.

Rodrigo Credidio é consultor em empatia e acessibilidade. Fundador e diretor da Goodbros e co-criador da Oficina de Empatia. Formado em Comunicação Social (ESPM) e pós-graduado em Administração de Empresas (FGV), trabalhou por 16 anos na área de comunicação de empresas multinacionais e agências de publicidade. Há 6 anos se dedica a ajudar as empresas a construírem pontes e conexões com seus públicos a partir da comunicação inclusiva, principalmente com o mercado de pessoas com deficiência. Fez Empretec (Sebrae) e tem formação básica em Neurociências, Teatro de Improviso e Emprego Apoiado.

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